domingo, 23 de maio de 2010

O Pentecostes na vida da Igreja: um acontecimento simbólico ou diabólico?

Neste domingo, as chamadas igrejas históricas, ou seja, aquelas que se formaram institucionalmente até a Reforma Protestante, ocorrida no séc. XVI, celebram a Festa de Pentescostes, ou seja, a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja, que a impulsiona para a missão. Alguns defendem, inclusive, que aí reside o fato pelo qual surgiu a Igreja, uma espécie de data de nascimento. Entretanto, nosso foco, nessa reflexão, vai além desses fatores.
Quando tratamos sobre o assunto, nos vem à tona duas questões fundamentais. Primeiro, de que Espírito estamos falando, quais as suas moções na vida humana. Depois, em que consiste a missão para a qual o mesmo impulsiona a vida da Igreja. Isto está no cerne de uma proposta de cultura, ou seja, é a partir da forma como encarnamos essa realidade que construiremos um determinado modelo de humanidade, de sociedade. Reside aí, portanto, uma relação radical, levando em conta a etimologia desta palavra, advinda da palavra "radix" (raiz), para poder significar que a raiz de toda a estrutura que percebemos no mundo parte, ou irrompe, de nossa relação com o Espírito, ou espiritualidade.
Para nos auxiliar no primeiro aspecto levantado, buscamos o apoio da relação de dicotomia que alguns autores, incluindo Leonardo Boff, Frei Betto e Libânio, tratam de "simbolismo versus diabolismo". O simbólico, nessa visão, e partindo do radical grego da palavra, vem significar todos os elementos cosmológicos (ou seja, aqueles pelos quais concebemos uma visão de mundo) que integram as relações, seja do homem consigo mesmo, ou de sua relação com a transcendente, ou com tudo o que está relacionado à vida tal qual ela se apresenta ao nosso redor. O diabólico, por sua vez, vem trazer o oposto, quer dizer a ruptura, a desagragação, o afastamento, do homem em todas as suas maneiras de relação ao que lhe é intrínseco ou extrínseco.
Partindo dessa dicotomia, podemos dizer, segundo a nossa tradição de fé, que o Espírito enviado sobre os seguidores de Jesus, no Pentecostes, é um espírito simbólico, integrador, comunicador, responsável por construir na vida da humanidade pontes de amor, solidariedade, partilha, comunhão, e tudo mais que edifica e enobrece a nossa existência.
Quando conseguimos perceber isso, nos questionamos sobre qual é a missão da Igreja, segundo esse Espírito. Podemos dizer, partindo da premissa anterior que essa missão consiste na vivência constante de todos aqueles sentimentos aos quais somos impelidos, alcançando todas as dimensões de nossa vida. Trata-se, pois, de uma construção histórica harmônica de uma vida baseada na cultura dos valores daí advindos, notadamente a justiça e a paz, o que se pode chamar de Reino de Deus.
Do que pudemos sustentar aqui, fica o questionamento: como nossas comunidades cristãs vêm encarnando esse Espírito, o Espírito de Jesus, em sua dinâmica? E como tem sido o reflexo do mesmo na relação entre nossas diferentes comunidades? Tais questões precisam ser resolvidas se, para nós, existe algum sentido em seguir Jesus, o carpinteiro de Nazaré.
O Espírito nos auxilie em nossas reflexões...!
Pax et Bonum!

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